Ivete faz a festa dos brasileiros nos EUA

Ivete Sangalo no EUA

Ivete Sangalo no EUA

Foi uma noite brasileira no Madison Square Garden. O show de Ivete Sangalo na grande arena da música pop de Nova York é um marco na carreira da cantora baiana, uma investida no mercado de música latina, mas a plateia foi o termômetro de que Ivete empolga mesmo é com seus “hits” de carnaval. Ela sacudiu o Garden botando 14.500 pessoas para dançar e fez do espetáculo uma afirmação de orgulho brasileiro. – O Brasil é respeitado no mundo, sim! Estou sendo tratada aqui com muito carinho e com muito respeito – afirmou Ivete, ovacionada.

O show, uma produção de US$ 5 milhões, foi planejado para a gravação do novo DVD da cantora (“Multishow ao vivo – Ivete Sangalo no Madison Square Garden”), sob a direção do norte-americano Nick Wicklam, que já trabalhou com Madonna e Beyoncé. Ivete homenageou

Michael Jackson cantando a balada “Human nature” e guardou o momento de maior impacto visual do show para uma canção de Lionel Richie: uma gigantesca caixa de presente vermelha desceu ao palco. Quando a tampa foi içada, ela surgiu tocando um piano de cauda e cantando “Easy”, sucesso de Richie na época do grupo Commodores.

A parte latina do show era outra promessa de Ivete, que tenta avançar no mercado hispânico com parcerias com estrelas como a colombiana Shakira. No palco, a química não apareceu no dueto com o colombiano Juanes. O astro da música latina se atrapalhou e o número teve de ser repetido.

- Força na peruca, Juanes! – gritou Ivete, que, depois de regravar o número, disse que “ele não aguentou a pressão”.

A dupla porto-riquenha Wisin & Yandel cancelou de última hora a participação, alegando problemas com o voo para Nova York. Com o argentino Diego Torres, em “Agora eu já sei”, o dueto rolou com mais naturalidade, e com a canadense Nelly Furtado, parceira em “Where it begins”, o show teve um bom momento. A melhor combinação foi com a ginga de Seu Jorge, em “Pensando em nós dois”.

Aos 38 anos, Ivete, desfilando cinco modelos de sua estilista, Patrícia Zuffa, alguns bem extravagantes, pareceu mais contida nos movimentos do que o habitual. Ao cantar “Me abraça”, ela se emocionou e chorou, escondendo o rosto com as mãos.

- Não sei fazer essas coisas toda maquiada! – brincou, quando conseguiu se recompor, diante da plateia que gritava seu nome.

A emoção foi a tônica de um show desfrutado intensamente por brasileiros que viajaram de todos os cantos do Brasil – e de vários estados americanos – para ver a diva. A baiana Manuela Fraga, que comprou uma passagem em dez vezes, deixou marido e dois filhos em Salvador e pulou num avião para Nova York, se derramava de alegria.

- Vou pagar até o próximo carnaval, mas valeu demais! Ivete tem um brilho, uma energia que é só dela. Todo ano saio atrás dela no carnaval e me emociono – disse Manuela.

Bandeiras da Bahia, do Rio, de Minas, do Flamengo, do Fluminense, e um mar de camisas da seleção brasileira coloriram o Madison Square Garden. Havia também portugueses, argentinos e outros latino-americanos, mas os brasileiros eram

maioria esmagadora. Para o percussionista Carlinhos Brown, que estava na plateia, foi “uma grande reunião da família brasileira”.

- O Brasil agrega a América Latina. Para mim não é surpresa esse sucesso, é resultado da História da música brasileira e da qualidade da Ivete – disse Brown.

Para uma plateia de adoradores, a palavra “seguidor” tem outra dimensão.

- Fui várias vezes ao carnaval da Bahia para vê-la, sigo Ivete no Twitter, vou a suas entrevistas coletivas quando dá e, mesmo grávida, vim a Nova York só para o show – contou a paulista Fernanda Dellian, que era o V do nome Ivete num conjunto de camisetas formado com o marido e amigos.

- Quero que vocês sintam muito orgulho de mim – disse a cantora, que fez várias declarações de amor ao seu público.

Ela se despediu segurando balões vermelhos em forma de coração, elevada às alturas em mais um efeito especial da superprodução. Mas foi no bis, quando chamou o público para um carnaval, que Ivete foi mais Ivete. Ela chamou Netinho e Margareth Menezes ao palco e deixou a alegria transbordar. Assim que a estrela desapareceu, o público explodiu no canto de “Eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”.

BARREIRAS

A performance de Ivete Sangalo continua a render críticas de jornais internacionais. No último domingo, foi a vez do mais importante veículo americano, o “The New York Times”, dar o seu parecer.

“Não será fácil para a sra. Sangalo expandir seu território e se juntar a cantoras como Beyoncé, Madonna e Shakira como uma estrela pop globalmente reconhecida”, diz o “NYT”. “Há, inevitavelmente, uma barreira de linguagem para músicas em português.”

O jornal continua: “A sra. Sangalo tem outro obstáculo: o ritmo. Muitos hits brasileiros, como “Cadê Dalila”, usam as batidas rápidas do axé, a música do Carnaval na Bahia – uma batida que poucos fora do Brasil podem acompanhar”. (O Globo e Folhapress)

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