Jobs: a personalidade do gênio por trás do sucesso da Apple
A saúde do presidente da Apple, Steve Jobs, voltou a chamar a atenção do mundo nesta semana. O gênio criativo por trás da fabricante de produtos como o iPod e o iPhone anunciou na segunda-feira que vai se afastar do trabalho por razões médicas. O estado de saúde do executivo alimenta rumores desde 2003, quando Jobs teve diagnosticado um tipo raro de câncer no pâncreas. O tratamento estendeu-se até 2004. Cinco anos depois, ele se afastou do comando da Apple para passar por um transplante de fígado. Problemas de saúde à parte, Jobs dita há quase 30 anos o ritmo e o rumo das inovações tecnológicas.
Jobs assombrou o mundo tecnológico pela primeira vez aos 28 anos, com o lançamento do Macintosh, o primeiro computador pessoal de uso fácil e intuitivo. De uma só vez, o Mac, como passou a ser chamado, trazia as inovações que seriam copiadas em seguida por todos os fabricantes de PC, entre elas o mouse, as janelas, os ícones de tela e as pastas. O lançamento, em 1984, tornou sinônimos de inovação os nomes de Jobs e da Apple, a empresa que ele havia criado sete anos antes numa garagem no subúrbio do estado americano da Califórnia.
A aura de revolucionário rendeu ao executivo o status de uma estrela do pop – ele é o herói de nove entre dez jovens americanos que sonharam enriquecer com poucos recursos e ideias brilhantes. O que move Jobs não é a competição nem o dinheiro. Ele trabalha movido a paixão. Jobs é também um perfeccionista patológico. Busca sempre a excelência. Sua personalidade complexa inspira ideias e medo. Como revelou o best-seller A Cabeça de Steve Jobs, lançado em 2009, a personalidade do fundador da Apple divide-se entre a do gênio e do empresário maníaco, cruel, que grita com as pessoas e faz com que elas trabalhem até noventa horas por semana.
Polêmicas à parte, o executivo continua com uma taxa de acerto de 100% ao lançar produtos que voam no mercado. A cada Macworld, evento anual em torno dos produtos da Apple, o mundo assiste a uma nova revolução: foi assim com o iPod, em 2001, com o iPhone, em 2007, e com o iPad, em 2010. O prestígio de Jobs foi fundamental também para o sucesso da Apple Music Store, lançada em 2003. Pessoalmente, Jobs convenceu astros da música a participar da lojinha virtual, que paga direitos autorais aos músicos e cobra dos internautas que querem gravar as canções em seus computadores por meio do iTunes.
As imagens de Jobs e da Apple são praticamente indissociáveis. Poucos sabem que o fundador da companhia manteve-se afastado da empresa durante 12 anos, tendo retomado seu comando em 1997. Obviamente, é um trunfo poder contar com um líder tão brilhante e carismático quanto Jobs. Mas a imagem que se tem da Apple é a da banda de um homem só: todos os instrumentos seriam tocados por ele. Esse é um dos motivos pelos quais a saúde de Jobs é motivo de discussão no mercado: a identificação entre Jobs e a Apple é tão estreita que os investidores têm dificuldade em projetar o futuro da empresa sem o seu comando.
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